FACULDADE METROPOLITANA DA GRANDE FORTALEZA

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terça-feira, 8 de abril de 2014

Dossiê Chocolate: Grande vilão, um incompreendido ou apenas um bom aliado da saúde?

Quem é que não gosta de chocolate? Chocolate amargo, ao leite, branco, diet, em pó etc.
Hoje em dia, encontramos as mais variadas versões desse alimento milenar, que se origina do Cacaueiro, cujo nome científico é Theobroma cacao, planta nativa de uma região que vai do México, passando pela América Central e expandindo-se até a América do Sul.  Seu nome científico deriva de palavras gregas que significam “alimento dos deuses”. De fato, não há quem negue que essa guloseima tão consumida e apreciada não tenha um quê de especial.
Atualmente, em nossa sociedade, o chocolate é símbolo do romantismo traduzido em caixas e cestas de chocolate que são presenteados principalmente no Dia dos Namorados, representa a alegria das crianças e adultos na Páscoa, já que é o famoso protagonista vendido em larga escala em formato de ovos. Além disso, desde a Antiguidade, o chocolate é usado no tratamento de beleza, tais como em banhos relaxantes de espuma, no qual faz o papel de revitalizar e hidratar a pele ressecada e desnutrida. Essa prática está em evidência, e os banhos são feitos em clínicas de estética, mas já existem produtos próprios à base de cacau para serem preparados em casa.
O chocolate, dessa forma, não parece ser nem de longe o vilão da história, mas estudos comprovam que ele possui em sua composição uma química venenosa. O composto mais potente do chocolate, um alcaloide de planta chamada teobromina, que é ligeiramente amargo ao paladar, pode ser venenoso para algumas espécies, principalmente para os cães.
O alerta foi feito pela Dog Help Network, uma rede de ajuda aos cães que observou que: “O Dia dos Namorados é o único grande dia no qual os cães são levados para as salas de emergência por causa do chocolate ingerido por eles”.
Muitos dizem que a gordura e o açúcar nos doces fazem bem ao animal, mas o que está em questão é a ingestão do alcaloide teobromina.
O que é um alcaloide?
É uma substância básica que deriva, em sua grande essência, de plantas, mas também pode ser derivada de fungos, bactérias e até mesmo de animais. Contêm em sua fórmula os elementos nitrogênio, oxigênio, hidrogênio e carbono. Normalmente, conhecemos alguns de seus nomes cujo sufixo é ina, como a cafeína (do café, que é chamada de pseudoalcaloide, por ser, na verdade, uma xantina), a cocaína (da coca), a papaverina/morfina/heroína/codeína (da papoula) são alguns exemplos.
Nas plantas, o alcaloide pode existir no estado livre, como sais ou como óxidos, e corresponde aos principais terapêuticos naturais com ação biológica anestésica, analgésica, psicoestimulantes, neurodepressores, etc.
A teobromina no chocolate
 
A teobromina foi descoberta nos grãos de cacau em 1841. Ela é conhecida por possuir um leve efeito estimulante em humanos, o que explica juntamente com os efeitos da cafeína e alguns outros compostos, a ação estimulante e energética que as pessoas têm ao comer chocolate.
No entanto, o excesso de teobromina no organismo humano pode causar náuseas e até mesmo anorexia, segundo relato da National Hazardous Substances Database (Base de Dados Nacional de Substâncias Perigosas): “Afirma-se que ‘em grandes doses’ a teobromina pode causar náuseas e anorexia, e que a ingestão diária de 50-100 gramas de cacau (0,8-1,5 gramas de teobromina) por seres humanos tem sido associada à sudorese, tremor e dor de cabeça”.
Em termos da toxicologia, a dose letal mediana (DL50 ou LD50, do inglês Lethal Dose) é a dose necessária de uma dada substância ou tipo de radiação para matar 50% de uma população em teste. Normalmente, o cálculo é feito a partir dos miligramas da substância por quilograma de massa corporal dos indivíduos testados. O DL50 é usado frequentemente como um indicador da toxicidade aguda de uma substância, e quanto maior a dose que será letal, menos tóxica ela é considerada.
No caso da teobromina, a DL50 é cerca de 1000 mg/kg em humanos. Em gatos é de 200 mg/kg, e em cães é de 300 mg/kg, o que significa que estas duas espécies possuem maior risco. Apesar, dos gatos correrem mais perigo, são os cães os animais mais propensos a ingerir doces. É claro que esse risco varia conforme o tamanho, forma e raça do animal.
Outro dado importante, é que a teobromina concentra-se mais nos chocolates escuros do que naqueles classificados “ao leite” e “branco”. Os efeitos do chocolate escuro para os caninos são agudos, o que indica alta periculosidade.
Foi comprovado que os efeitos da teobromina pode ser clinicamente útil, em pequenas quantidades, pois favorece o aumento da frequência cardíaca, dilata os vasos sanguíneos reduzindo a pressão arterial. Abre as vias aéreas e estimula a produção de urina, considerado assim, um diurético. Tais efeitos em uma pessoa são considerados positivos, se utilizados em um tratamento clínico.
Entretanto, em um cão, todos esses efeitos são adicionados à náusea aguda, convulsões e hemorragia interna. E, em muitos casos, letal para o animal.
Vimos que a teobromina faz mal aos cachorros, e em excesso nos humanos também pode ser perigoso. Mas, calma, nem tudo está perdido. Há um estudo que comprova que o chocolate, consumido com moderação, é claro, pode fazer bem ao coração humano.
Chocolate na prevenção de doenças cardíacas e derrames
De acordo com uma pesquisa feita na Alemanha, o chocolate pode ser bom para o coração, para a grande felicidade dos amantes desse “manjar dos deuses”. O estudo levou oito anos para ser concluído, e a equipe de pesquisa acompanhou a saúde de quase 20.000 pessoas que mantêm o hábito de comer essa guloseima. Os pesquisadores compararam a quantidade de chocolate composta na dieta para o número de ataques cardíacos e derrames que as pessoas tinham. Segundo o pesquisador Brian Buijsse: “A boa notícia é que o chocolate não é tão mau como se costumava pensar, e pode até reduzir o risco de doenças cardíacas e derrame”.
Ainda de acordo com o pesquisador, a equipe descobriu que o chocolate escuro era o tipo mais saudável para comer: “o chocolate escuro apresenta efeitos fantásticos, já o chocolate ao leite apresenta menos, e o chocolate branco não possui efeitos”, disse ele.
O estudo alemão revelou que as pessoas que comiam chocolate (em barra, e uma por semana), reduziam o risco de ter um ataque cardíaco em 27%. O risco de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) foi reduzido em até 48%. Os especialistas em nutrição acreditam que o que faz bem ao coração são os flavonoides compostos no chocolate.
Flavonoides ou bioflavonoides é a designação dada a um grande grupo de metabólitos secundários da classe dos polifenóis, componentes de baixo peso molecular, e que são encontrados em várias espécies vegetais. Os diferentes tipos de flavonoides são encontrados em frutas, flores e vegetais em geral, bem como em alimentos processados como vinho e chá.
Os flavonoides são encontrados nas sementes de cacau, por isso o chocolate escuro tem mais efeito, pois possui mais cacau. O chocolate ao leite, por sua vez, tem mais gordura do que cacau.
Foto: Reprodução / Portaldodog.com.br
A pesquisa também mostrou que esses flavonoides presentes no chocolate também ajudam na redução da pressão arterial (mesmo efeito produzido pela teobromina). Entretanto, Buijsse alerta quanto ao consumo excessivo de chocolate: “Comer quantidades elevadas de chocolate mais contribuem para um provável ganho de peso que qualquer outra coisa. O ideal seria que as pessoas começassem a comer chocolate em pequenas quantidades substituindo, de preferência, outros alimentos de alto teor calórico como lanches ou outros tipos de doce”.Qual é a conclusão que podemos tirar disso? Primeiro, não dê chocolate aos cães. A teobromina contida nesse doce faz mal a eles, e, além disso, existem inúmeros alimentos nutritivos e incrivelmente saborosos que farão a alegria de seus mascotes
Segundo, o chocolate possui pontos positivos e negativos pautados em pesquisas feitas em laboratório, que mostram que você não precisa cortar o chocolate radicalmente da sua vida, mas também não deve cometer o erro de comê-lo aos montes. O excesso é prejudicial em qualquer aspecto, e isso não é segredo para ninguém.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Nicotina

A NICOTINA É UM ALCALOIDE DO GRUPO ORGÂNICO DAS AMINAS. É ENCONTRADA NAS FOLHAS DE TABACO E É A PRINCIPAL RESPONSÁVEL PELA DEPENDÊNCIA DO FUMO, ALÉM DE CAUSAR PREJUÍZOS À SAÚDE.

 
A nicotina é um dos principais componentes do cigarro e é a grande causadora da dependência do fumo
A nicotina é um dos principais componentes do cigarro e é a grande causadora da dependência do fumo

A nicotina é um composto orgânico do grupo dos alcaloides, que são aminas heterocíclicas, isto é, que possuem cadeias fechadas (ciclos), contendo um nitrogênio. Sua fórmula estrutural está representada a seguir:
Fórmula estrutural da nicotina
Por ser uma amina, a nicotina tem caráter básico e se apresenta (à temperatura ambiente e na sua forma pura) de um modo líquido oleaginoso e incolor. Porém, em contato com o ar, esse líquido se oxida, ficando pardo-escuro. É solúvel em água e muito solúvel em solventes orgânicos como o éter e o álcool.
Assim, como os demais alcaloides, a nicotina possui gosto amargo e é muito tóxica. Ela se encontra nas plantas de tabaco, a partir das quais se produz o fumo, em uma concentração que varia de 2% a 8%.
Plantação de tabaco
Ela é produzida na queima do cigarro e é a principal causadora da dependência que o fumante apresenta. Isso ocorre porque, ao se tragar o cigarro, a nicotina chega em cerca de 9 segundos ao cérebro e atua sobre o sistema nervoso central, causando uma sensação de bem-estar agradável. No entanto, essa sensação é passageira e quanto mais a pessoa fuma mais o organismo se adapta à droga e o vício aumenta, necessitando de mais doses de nicotina no organismo, ou seja, aumentando-se a quantidade de cigarros consumidos. É por isso que quando alguém tenta parar com o vício, suspendendo repentinamente o consumo de cigarros, ela costuma ter uma síndrome de abstinência.
Além disso, no momento do consumo, a nicotina também causa no sistema nervoso central uma ação estimulante e, como consequências, há o aumento da pressão arterial, da frequência dos batimentos cardíacos, da frequência respiratória e da atividade motora, além da redução do apetite.
Ao se tragar o cigarro, a nicotina é imediatamente distribuída pelos tecidos e é absorvida pelo pulmão. Em razão disso, são causados inúmeros prejuízos para o organismo, veja alguns:
Efeitos da nicotina sobre o organismo humano
dose letal média de nicotina para um ser humano situa-se entre 40 mg a 60 mg, sendo que apenas um cigarro já contém cerca de 0,6 mg.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

CLASSIFICAÇÃO DOS ALCALOIDES

          Os alcaloides podem ser classificados quanto à sua atividade biológica; quanto à sua estrutura química; e quanto à a sua origem biossintética (maneira de produção na plante).
          Com relação à sua origem biossintética, os alcaloides podem ser classificados em:

  • Alcaloides verdadeiros: são aqueles que possuem anel heterocíclico com um átomo de nitrogênio e sua biossíntese se dá através de um aminoácido.
    Ex: Cafeína
  • Protoalcaloides: são aqueles que o átomo de nitrogênio não pertence ao anel heterocíclico e se originam de um aminoácido.
    Ex: Cocaína
  • Pseudo-alcaloides: são aqueles que não são derivados de aminoácidos e sim de terpenos ou esteroides.



        Fonte:  http://pt.slideshare.net/IvsonCassiano/alcaloides-20695737

        Postado por: Jéssica Lima Caetano



quarta-feira, 2 de abril de 2014


Com a Ipeca a descoberta dos alcalóides

Na metade do século XVIII, uns quantos pesquisadores europeus começaram a prestar a atenção na Cinchona. Muito interessante para a ciência saber o que continha em tal casca: Já os homens simples pratica só procuravam um meio de distinguir entre a Cinchona pura e a adulterada.
Vieram numerosas alegações, da Suécia, da França, da Alemanha,de Portugal, Rússia Escócia, sobre o encontro do princípio essencial da Cinchona. Em Paris, um Armand Seuin, negocista e falsificador de drogas já com uma estada na prisão, anunciou a notável e falsa descoberta de que a boa casca de CChinchona Amaelacinchona era rica em gelatina… “É nessa gelatina que está o princípio ativo da casca. É a gelatina que cura a malária!” Mas a gelatina não cura coisa nenhuma, como o próprio Seguin o verificou e também os pobres médicos que a seu conselho se puseram a tratar os maláricos com produtos gelatinosos.
Depois veio o famoso Antonie François Fourcroy, o professor francês que ou  sobreexcedia os seus competidores ou mandava-os para a guilhotina. Fourcroy produziu uma serie de manipulações químicas e afinal apresentou uma substancia parda, sem sabor nem cheiro, á qual deu o nome de “chinchona vermelha”. Ao contrário do que alegava, esse produto não exercia efeito nenhum na malária. Apesar disso Fourcroy chegou á beira do triunfo. “Estas pesquisas”, concluiu ele, “conduzirão sem dúvidas, á descoberta de substancias antimaláricas”.
Se ele tivesse insistido na busca, um dia mais, talvez ele próprio tivesse feito a estupenda descoberta. Isso, entretanto, estava destinado de outra maneira, iria caber a dois jovens químicos de Paris, Pierre Joseph Pelletier, rapaz de 29 anos, filho de um farmacêutico e já professor na Escola de Farmácia, e Joseph Bienaimé Caventou, um lépido estudante de farmácia então com 24 anos.
Reuniram-se pela primeira vez em 1817 ano em que apareceu o relatório das descobertas do Sertuerner sobre a morfina. Nunca um relatório foi devorado  com maior avidez!
- O método deste homem é admirável, disse Pelletier.
É simples e eficientíssimo. Se por este processo ele encontrou a morfina no ópio, talvez possamos encontrar outros princípios ativos em outras plantas.
E começaram os estudos coma ipeca, um novo emético vindo da América do Sul, boa para a disenteria, e disso saiu a emetina. Depois se voltaram para a venenosa strychnos ou a noz vômica e dessa planta extraíram um poderoso veneno que causava a morte depois de convulsões, espasmos, espuma na boca e terrível rictus sardonico ( o “riso sardonico provem da Sardenha, a pátria da strychnos). Pelletier e Caventou pensaram em dar ao novo produto o nome de “vauqueline”, em honra a um grande amigo, Monsieur Vauquelin; mas foram aconselhados a desistirem da idéia. Vauquelin podia não gostar de ver o seu nome ligado a um tão cruel veneno, e o nome adotado foi o de strychnine, ou estriquinina.casca de quina
As experiências de laboratório mostravam que tanto a emetina como a estriquinina assemelhavam-se a morfinade Stuerner. Atuavam como álcalis, reagiam comoálcalis tinham todas as propriedades dos álcalis, embora não tivessem a formula dos álcalis.
- Na Alemanha o químico Meissner, descobriu toda uma nova família de produtos químicos. Todos provenientes de plantas, são orgânicos, mas pelas suas semelhanças com os álcalis podem ser chamados alcalóides.(1)
(1)Silverman, Milton - “Mágica em Garrafas” A historia dos grandes medicamentos.


POSTADO POR: ALEX SANDERSON BRAGA CASTELO

sexta-feira, 28 de março de 2014

Alcaloides

Os alcaloides podem ser classificados quanto à sua atividade biológica; quanto à sua estrutura química; e quanto à sua origem biossintética (maneira de produção na planta).
Podem ser divididos em três grupos:
  • Alcaloides verdadeiros, que possuem anel heterocíclico com um átomo de nitrogênio e sua biossíntese se dá através de um aminoácido Exemplo: THC;
  • Protoalcaloides, o átomo de nitrogênio não pertence ao anel heterocíclico e se originam de um aminoácido Exemplo: cocaína;
  • Pseudoalcaloides, são

    Referências

    FARMACOGNOSIA: da planta ao medicamento .CLÁUDIA MARIA DE OLIVEIRA SIMÕES ;ELOIR PAULO SCHENKEL ;GRACE GOSMANN ;JOÃO CARLOS PALAZZO DE MELLO ;LILIAN AULER MENTZ ;PEDRO ROS PETROVICK ;EDITORA DA UFSC, 1999 821p.
     derivados de terpenos ou esteroides e não de aminoácidos. Exemplo: Cafeina;



                                         Postagens: Alex Sanderson Braga Castelo
                                                 

quinta-feira, 27 de março de 2014

Alcaloides - Morfina e Nicotina

       Quando administrado a animais, muitos alcaloides produzem notáveis efeitos fisiológicos. Esses efeitos, variam de alcaloide para alcaloide.
         Alguns alcaloides estimulam o sistema nervoso central, outros causam paralisia, alguns elevam a pressão sanguínea, outros provocam uma queda na pressão.
         Certos alcaloides atuam como aliviantes da dor; outros atuam como tranquilizantes; ainda outros, agem contra microorganismos infecciosos. Muitos alcaloides são tóxicos quando sua dosagem é suficientemente elevada, e com alguns, essa dosagem é muito pequena.
         A despeito disso, muitos alcaloides encontram uso na medicina.
         Nomes sistemáticos são pouco usados para al alcaloides e seus nomes comuns possuem uma variedade de origens. Em muitos casos o nome comum reflete a origem botânica do composto.
         O nome do alcaloide morfina, proveniente do ópio, é devido ao deus grego dos sonhos Morpheus.
                        
      O nome do alcaloide do tabaco, nicotina, provém do nome de um embaixador francês chamado Nicot, ele foi o responsável por enviar sementes de tabaco para a europa.
                         

        Em doses muito pequenas, a nicotina age como um estimulante, mas em doses mais elevadas, causa  depressão, náusea e vômitos. Em doses ainda maiores, ela causa envenenamento violento.


     
         Fonte:http://digichem.org/2010/05/31/alcaloides-nicotina/

Postado por: Jessica Lima


terça-feira, 25 de março de 2014

PEREIRINA:UMA GLÓRIA BRASILEIRA?

O farmacêutico brasileiro Ezequiel Corrêa dos Santos (1801-1864), pai, dedicou-se ao estudo químico das cascas do pau-pereira. Em 1838, isolou seu princípio ativo e o descreveu como sendo um alcaloide, denominando-o pereirina.
"A pereirina é um alcalóide porque goza de propriedades bazicas, e é azotada. Digo que ella goza de propriedades bazicas porque forma com os ácidos combinações estáveis; e que é azotada porque o producto de sua distillação é sensivelmente ammoniacal. Não há princípio immediato algum azotado, com propriedades bazicas que não seja alcalóide" (Santos, 1848).
Com a descoberta do princípio ativo, o uso da solução proveniente da decocção das cascas do Pau-pereira foi substituído. Com isso, era ingerido pelo enfermo, quantidades suficientes do princípio ativo para obter a cura, e este deixava de administrar o remédio (decocto) em grandes doses diárias para obter o mesmo efeito. O decocto era obtido a partir de 15 a 30 g de cascas do Pau-pereira para 500 g de água. Já os banhos empregavam 500 ou 1000 g de cascas. O produto proveniente da decocção era utilizado nos sertões ou em lugares em que não existisse o medicamento de outra forma, mas os banhos eram bastante utilizados na cura de febres e erisipelas e na terapêutica infantil, já que a administração do alcaloide e posteriormente de seus sais era difícil por apresentar gosto amargo (Nina, 1883). A partir de 1838, os banhos com água obtida do cozimento da cascas do Pau-pereira, eram prescritos juntamente com o xarope de pereirina, tornando o tratamento mais eficaz.
Em fevereiro de 1838, Dr. Luiz Francisco Ferreira já relatava os efeitos da prescrição da pereirina e em março do mesmo ano era a vez do cirurgião Peregrino José Freire descrever a composição inicialmente receitada e amplamente utilizada: 12 g de pereirina dissolvidas em ácido sulfúrico diluído e misturado ao xarope (Rev Med Fluminense, 1838, 1840).
Além de Ezequiel, alguns químicos e farmacêuticos se dedicaram ao estudo do princípio ativo das cascas do Pau-pereira, por isso a dúvida acerca da prioridade da descoberta do princípio ativo.
No âmbito europeu a guerra pela primazia do isolamento da pereirina foi travada por Charles Henri Pfaff e Berend Goos, além de Pietro Peretti (1781-1864) e Pierre Joseph Pelletier (1788-1842) que fizeram suas análises na Europa. Robert Christian Barthold Avé-Lallemant (1812-1884), prático de farmácia alemão, instalado no Rio de Janeiro, convencido de que essas cascas dada as suas virtudes curativas seriam de interesse para muitos pesquisadores, enviou, em 1837, doze libras de cascas de Pau-pereira para Charles Henri Pfaff, à época um dos melhores professores alemães de Química Analítica (Rev Med Fluminense, 1840). A análise das amostras foi feita por Berend Goos, em 1839, sob orientação de Pfaff, tendo sido publicada nos Annaes de Medicina de Schmidt Leipzig, no mesmo ano. Para Goos, a pereirina obtida por Ezequiel é o verdadeiro alcaloide, porém misturado com uma substância vegetal resinosa e amarga (Rev Med Fluminense, 1840).
Apesar da pereirina ter sido descrita por Ezequiel e utilizada pelos médicos do Rio de Janeiro no combate as febres, em 1838, a descoberta deste princípio ativo, é atribuída ao farmacêutico hamburguês, Goos, pelos franceses François Dorvault e por Charles Adolphe Wurtz (Dorvault, 1886; Wurtz, 1873).
Pietro Peretti (1781-1864), professor de farmácia na Universidade La Sapienza de Roma, também é exaltado como descobridor da pereirina, mas seus estudos ocorreram apenas em 1839, sendo publicados em 1845, no Journal de Chimie Médicale de Pharmacie et de Toxicologie (Peretti, 1845).
Pelletier, o famoso químico francês, o primeiro a isolar a quinina, obteve os mesmos resultados de Ezequiel. Entretanto, Pelletier recebeu as cascas de pau-pereira apenas em 1840 (Pelletier, 1840).
A prioridade da descoberta da pereirina por Ezequiel foi inúmeras vezes contestada. No âmbito brasileiro, a maior contestação partiu de Jean Louis Alexandre Blanc, farmacêutico francês residente no Rio de Janeiro, que estudou e isolou o princípio ativo do Pau-pereira na mesma época que Ezequiel.
O trabalho de Blanc foi analisado pelo médico De-Simoni, cujo parecer foi publicado na Revista Médica Fluminense (1838). A pereirina obtida por Blanc apresentava características distintas da obtida por Ezequiel. Procurado pelo redator da revista, à época, para divulgar seus resultados acerca do isolamento do mesmo princípio ativo, Ezequiel negou-se a entregá-los e argumentou que um ano antes da descoberta de Blanc ele já tinha extraído a pereirina das cascas do Pau-pereira, e as tinha dado ao Dr. Luiz Francisco Ferreira para testá-la clinicamente (Rev Med Fluminense, 1838).
A publicação do artigo de Blanc despertou imensa revolta em Ezequiel, por demonstrar de acordo com o próprio, a "traição dos amigos" e de "sua incapacidade profissional":
"(...) desconceito lançado sobre meu crédito profissional com a mais feia ingratidão possível (...)" (Rev Med Fluminense, 1838).
Blanc reconheceu que a pereirina obtida por Ezequiel era uma substância mais clara do que a obtida por ele. Mas, isto talvez fosse devido ao aperfeiçoamento do método por ele empregado.
Muito provavelmente Ezequiel não revelou sua descoberta acerca da pereirina, devido a uma discussão com Blanc no ano anterior, sobre a composição e propriedades de uma pomada mercurial. Os efeitos desta pomada já eram conhecidos, mas uma longa discussão foi iniciada, pois Ezequiel tinha feito uma modificação em sua composição e a comercializava em sua botica. Blanc alegava ter realizado a mesma modificação na pomada mercurial, e a publicado na Revista Médica Fluminense.
O fato de Ezequiel ter fornecido ao Dr. Luiz Francisco Ferreira a pereirina para que este a testasse clinicamente, enquanto Blanc trabalhava ainda no processo de extração deste princípio, retoma a proposta de que foi Ezequiel quem, pela primeira vez, isolou a pereirina (Rev Med Fluminense, 1838).
Além da contestação da descoberta por outros pesquisadores, o nome proposto por Ezequiel para o princípio ativo do Pau-pereira foi contestado pelos Drs. Cypriano de Freitas e Bochefontaine, que propuseram geissospermina ougeissina, baseados na sinonímia científica dada por Freire Allemão (Bochefontaine & Freitas, 1877). Estes pesquisadores observaram em seus estudos que as folhas da árvore do Pau-pereira também apresentavam o mesmo princípio ativo, mas em menor quantidade. Para Antonio Gonçalves Ramos o princípio ativo do Pau-pereira deveria ser batizado com o nome do farmacêutico responsável por sua descoberta (Nina, 1883).
No entanto, pesquisadores brasileiros divulgavam a denominação pereirina com intuito de resgatar sua origem, os estudos acerca de nossa flora e os possíveis remédios que poderiam ser produzidos a partir das riquezas naturais do país (Nina, 1883).
A luta pelo monopólio da descoberta da pereirina é um bom exemplo para se revisitar as pesquisas sobre produtos naturais feitas no Brasil, no século XIX. A pereirina é, sem dúvida, o primeiro alcaloide isolado no Brasil. E de acordo com Domingos Freire:
"A reivindicação de nossos direitos sobre a pererina é não só um dever de patriotismo, mas ainda um protesto contra a usurpação de um direito incontestável - o da prioridade das descobertas" (Freire, 1880).


Fonte:http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-695X2009000600026&script=sci_arttext

Postado por: Herbete Vitor